O papel do jornalismo público junto à sociedade civil foi discutido por estudantes e profissionais da área no III Seminário de Comunicação Legislativa e Cidadania, realizado na Alepe, na última sexta. O encontro promoveu três mesas de debate. A primeira teve como tema o momento da radiofusão no Brasil. O jornalista e sociólogo, Laurindo Lalo Leal, afirmou que o caráter público da Empresa Brasileira de Comunicação, a EBC, foi destruído por decisões do Governo Michel Temer. Entre elas, a que desativou o conselho curador da emissora. “Há interferências no telejornalismo, nos conteúdos. Há denúncias de funcionários – isso eu estou só repetindo o que eu li – de censura interna, de coberturas enviezadas, de perseguição a determinados funcionários.” O jornalista também destacou dois princípios da comunicação pública. Primeiro, a universalidade de acesso. Segundo, a ética da abrangência, a ideia de que o contéudo deve atender às demandas simbólicas de todos os cidadãos. A integrante da Associação Brasileira de Comunicação Pública e jornalista da Câmara Federal, Cláudia Lemos, ressaltou os objetivos concorrentes do jornalismo na esfera pública. De um lado, o interesse em aumentar a transparência de atuação dos Poderes. De outro, o desejo dos parlamentares de melhorar a imagem deles e das instituições. Gustavo Almeida, diretor de produção da TV Universitária e indicado para a presidência da Empresa Pernambuco de Comunicação, a EPC, comentou sobre a proposta de requalificação da emissora. As mudanças incluem a digitalização do sinal e melhorias na infraestrutura. À tarde, a segunda mesa de debates abordou o jornalismo do futuro. A editora-executiva do Jornal do Commercio, Maria Luiza Borges, falou sobre a adaptação das empresas tradicionais de mídia à era digital. Na opinião dela, as plataformas online demandam novos formatos de conteúdo. O representante do grupo Jornalistas Livres, Rodrigo Pires, observou que ainda se desconhece o melhor formato para a internet, e que o cenário é de descoberta. A chamada mídia ambiente foi apresentada pelo consultor de tendências do Porto Digital, Jacques Barcia, que explicou o conceito. “A gente passa por um novo paradigma em que coisas, objetos, entre aspas, inanimados, também são produtores e receptores de mídia.” A comunicação comunitária esteve em foco na terceira e última mesa do Seminário. Eliane Rodrigues, coordenadora da Rádio Alternativa FM, de Nazaré da Mata, na Mata Norte, destacou como desafios a falta de recursos e a pressão política. Eduardo Amorim, da organização Coletivo Intervozes, lamentou que temas ligados a segmentos minoritários da sociedade sejam pouco evidenciados pela mídia. A representante do Centro das Mulheres do Cabo, Manina Aguiar, enfatizou que a comunicação pode contribuir, de forma concreta, para a ocupação dos espaços de poder pela mulher. O participante do movimento comunitário Caranguejo Uçá, Edson Fly, chamou a atenção para a comunicação que se expressa por meio do teatro, da música e da literatura populares. A superintendente de Comunicação da Alepe, Margot Dourado, fez um balanço do evento. “E acho importante o Seminário porque mantém esse laço de diálogo com vários segmentos da sociedade. Hoje a gente teve professores, acadêmicos, teve profissionais da grande imprensa, teve representantes das associações, das comunidades.” Margot ainda acrescentou que a realização do Seminário reflete o compromisso da Alepe com a comunicação social.
Seminário promovido pela Alepe debate o papel da comunicação legislativa
Em 21/08/2017
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